Helena, você pode ser um menino se quiser

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Você com 5 meses e 23 dias, sendo a rainha da careta. Sim, tiro foto de todas as suas caretas, porque um dia, em breve, iremos rir delas.

Escrito no dia 24 de março de 2014, numa madrugada de insônia.

Helena,

Quando você nasceu foi declarada do sexo feminino, mas quando ainda era muito pequena, um cisco na minha barriga, já imaginava “E se a escolha não for a mesma constatada pelos médicos?”. Sim, já discuti isso com seu pai.

Sou uma boba, fico imaginando você já adulta, me contando suas novidades na mesa, me apresentando amigos, levando broncas e tomando um belo café com leite preparado com todo carinho por mim e sempre – s-e-m-p-r-e – te imagino como uma folha em branco. Nenhuma roupa, nenhum corte de cabelo ou qualquer preferência da minha imaginação que possa imitar suas escolhas. São suas, não me meta nelas.

Claro, sempre te darei conselhos, irei te ouvir e vou opinar quando achar necessário, mas quem você é e o que deseja, são questões que apenas diz respeito ao seu ser. Hoje você tem 8 meses, quase 9, brinca com avião, lata de milho, bonecas, tartaruga ninja, forma de silicone de cupcake, mordedores, saquinhos com feijão e arroz, pote cheio de feijão, sim, estou sendo muito criativa na tarefa de te entreter sem gastar dinheiro e o mais importante: aqui não tem brinquedo de menina e menino. Temos diversão.

Lembre-se disso. Vou te vestir de rosa – mais rosa, porque você ganha muitas roupas dessa cor – vermelho, azul, preto, tudo que achar confortável e sim, as vezes coloco presilhas no seu cabelo, mas devo admitir que acho aquilo chato para crianças.

Só quero te deixar claro, querida, você pode ser um menino, uma menina, algo entre um ponto e outro, uma flor, um pedaço de nuvem, um peixe com pés, tudo que você quiser, desde que seja uma pessoa de opinião própria. Prefiro que você reflita sobre tudo e me conte sobre sua decisão, do que seja a garotinha perfeita e de sucesso da mamãe. Melhor, nem seja, isso é muito chato.

Desejo do fundo de minha alma que você pense sobre o mundo, veja desenhos no céu, acredite no potencial criativo humano e fale sobre concepções, do que o que conhecemos como “normal”.

Tenho medo, claro, que você sofra violência por ser mulher ou por qualquer outra escolha futura, mas se quero uma filha corajosa, também devo me cobrar a coragem de te ajudar a enfrentar o mundo. Somos uma equipe, lembre-se disso. O mundo e seus conceitos pré-definidos podem se explodir em purpurina.

Com amor,
Mamãe.

 

 

 

 

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217 comentários sobre “Helena, você pode ser um menino se quiser

  1. Seria tão legal se meu pai fosse assim, sabe? Ultimamente as coisas não estão indo muito bem por aqui.. Ele está sem falar comigo pq sou lésbica.
    Continue escrevendo coisas assim.. Me senti muito melhor ao perceber que existem pessoas como você! O preconceito que vem de casa é o pior. Tô sentindo isso na pele

    • Tenha força. Pra mim foi difícil também e levou um bom tempo pras coisas se ajeitarem. Hoje meu marido frequenta minha casa e está tudo bem. Acredite! abraço

    • Meu pai deixou bem claro que não quer que o meu marido frequente a casa dele. Nos casamos em outubro passado, e meus pais não foram ao casamento.
      Fico muito feliz por existirem pessoas como Paola e Helena. 😀

    • Eu também estou passando por isso na minha casa A R. Meus pais não me aceitam por eu ser lésbica, é acham que é modinha. Então meu pai não fala comigo e minha mãe fala muitas vezes com grosseria. É uma dor no peito explicável, só quem passa sabe. Mas tenho fé que tudo dará certo.

  2. Eu tenho 17 anos e há pouco tempo me encontrei confusa, não sei ao certo se gosto de meninos ou meninas, meus pais nunca aceitariam, meu pai é homofóbico e quase não tocamos nesse assunto aqui em casa… Amo muito os meus pais , eles não interferiram na minha escolha profissional, mas sempre me falavam que menina tem que gostar de menino… Sinto que ficar com meninas seja algo errado que estou fazendo, eu admiro muito a sua coragem Paola e se um dia eu tiver um filho ou filha quero ser como vc… Vivemos em um mundo com tanto preconceito.

    • Olá, Thay.

      Acho que você deve ter paciência com sua família, é muito complicado para pessoas mais conservadores tentar compreender as escolhas dos filhos. Mas não se sufoque ou intimide diante disso, espero que o esclarecimento venha até você e a felicidade também 🙂
      Muito obrigada pelo comentário.

      Abraços

  3. Traduzindo: Ela pode escolher ser um peixe, um menino, uma menina, uma nuvem ou uma flor, ou seja, o que a opinião e consciência dela mandar. Mas se escolher ser uma mulher conservadora e cristã, quero ver onde vai ficar esse amor todo a escolha dela.

    • Hey Carol,

      Acho que você não compreendeu a essência da Carta, ela pode ser realmente o que ela quiser, desde que tenha opinião própria. Ou seja, se ela for cristã, ótimo, se achar que o conservadorismo é uma boa escolha, tudo bem, desde que ela sempre lembre que respeitar é preciso.
      Acredito que podemos ser qualquer coisa, desde que a prática da reflexão e do respeito, esteja inserido. Compreende?

      O amor todo vai continuar aqui.

      Abraços!

      • Espero que você não esteja projetando em sua filha um trauma ou decepção vivida por você e que realmente, seus pensamentos e ideias não mudem conforme sua filha for crescendo, e que no fundo você realmente queira que ela seja o que ela quer ser e não o que você não foi.

  4. Linda carta! Faço das suas palavras as minhas para o meu filho.
    Infelizmente quando dizemos isso, até mesmo para a família, muitos nos taxam de doidas e confundem as palavras. Acham que só porque damos liberdade da escolha significa que queremos que eles sejam “diferentes” do que a sociedade considera normal.
    Mas criando nossos filhos assim talvez o futuro reserve algo melhor =)
    Parabéns!

  5. Por ter tido uma infância muito dolorosa, principalmente por causa da rejeição paterna, sofri muito quando descobri que seria mãe de menino. Tudo relacionado ao sexo masculino me era sofrido. Eu nunca quis casar e ter filhos. Acabou acontecendo. Nunca quis ser mãe, muito menos de meninos. E fui, de dois. Na superfície, superei e tento fazer o melhor e que meus filhos sejam felizes e amados, mas…bem jamais saberei como seria se tivesse tido menina. Peço apenas ser compreendida. Foi muito difícil. As vezes, ainda é. Mas a maioria não entende. Acha que preferencia por um sexo é capricho, e pode até ser, mas…também pode ser o medo…medo de sofrer tudo denovo, medo de suas crenças profundas se confirmem, medo de não conseguir superar…Enfim, obrigada pelo texto. É simples e fala o que eu precisava ouvir. 🙂

  6. Poxa, parabéns por ter este pensamento. Quando for mãe, e espero ser um dia, quero ter a sua sabedoria. Você é um exemplo de mãe, e seu pensamento te faz um exemplo de mulher. Continue assim. Desejo muita felicidade para você e sua família, e principalmente, muita saúde para a Helena. Ela com certeza quando puder compreender o valor destas palavras se orgulhará da mãe que tem, e apesar de não ser mãe ainda, devo dizer que como filha, é uma alegria poder sentir orgulho da mãe não só como mãe, mas como mulher.

  7. As mamães podiam ajudar as suas filhas assim..Por que quando começamos a viver lá fora é bem difícil expor nossas opiniões,pelo simples fato de querermos ser aceitados pelos outros a maioria das vezes aceitamos a opinião daqueles que tem um gênero mais forte..Eu por exemplo sofri de mais na escolha…só conseguir expor minhas opiniões no 1 grau rsrsr!!!Gostei das suas palavras 🙂

  8. Mamãe,
    Admito que meus olhos se encheram de lagrimas ( um misto entre alegria, felicidade, esperança, e emoção! ) ao lar tanta delicadeza em forma de palavras! Helena, é um anjo ( e lembre-se anjos não tem sexo) de muita sorte por tê-la e vice-versa!

    Um beijo na pontinha do nariz, da Mamãe, do Papai, e da Pequenina grande Helena.

    Giovanna Brasil.

  9. Você está literalmente não aceitando sua filha sendo filha, querendo “indiretamente” que ela seja homossexual. (Você é menina, mas eu te aceitaria se você fosse menino. SE FOSSE MENINO, OK?)

  10. Nossa que texto lindo, é tão bom ver pais que estão criando seus filhos de forma livre, eu também penso assim Paola, ainda não tenho filhos, mas quando os tiver, serão o que quiserem ser e terão muito amor e respeito. Sua Helena é linda, parabéns!Bjão

  11. Parabéns pelo texto!!
    Nossos filhos serão nossos filhos sempre!! Independente da profissão, orientação sexual, etc.
    O amor deve ser incondicional sempre. E os pais devem realmente parar de projetar nos filhos suas frustrações, desejos, anseios, etc,
    Minha pequenina “pagina em branco” está crescendo rodeada desses mesmos conceitos.

  12. O texto é lindo, maravilhoso! Muito bem escrito…com uma delicadeza e escolha de palavras e expressões muito profundas e gostosas de ler e sentir. Dá perfeitamente para entender que vc quer apenas q sua filha seja feliz, nao importa o que ela decida quando tiver em posição de fazer isto – desde q sejam decisões com personalidade. E não discordo em momento nenhum. Mas realmente em alguns trechos, parece que vc está criando um ser assexuado. Explicando a ela que usa presilhas mas nao gosta? Como se tivesse q haver uma justificativa pra vc usar acessorios femininos na sua filha. Ora…. ela é menina, certo? Explicando porque usa rosa…. Mas ela é mesmo uma menina! Oq algumas pessoas como eu entenderam do seu texto – mas talvez tenham sido infelizes na forms de expressar isso -, é q qdo lemos o seu texto, parece q na verdade vc nao a cria como uma menina, que pode vir (com a criação feminina q tiver ou não) a querer ser menino no futuro. Pois acredito q a pesdoa q é homossexual, nasce assim independente de ter usado lacinhos a vida toda. Ela gosta e é assim e pronto. E tudo bem! Nao é exatamente uma “escolha”. Por outro lado, a mim parece q da maneira como vc escreveu, é como se vc ja a estivesse educando de forma “neutra”, pra que um dia – Caso ela queira – ja possa”escolher” ser oq quiser. Mas ela é uma menina…e pode ser criada com essa consciência sem que se sinta uma problemática caso um dia” perceba”q é homossexual. E nao “escolha”. Parece q vc deixa um ar de “preparação para ser o que quiser”. Mas ela é uma menina…E te apoio no sentido de que se um dia ela souber por alguma razão q gosta de meninas, q deve te contar, q vc deve ser aberta pra ouvir e apoiar…. Mas apenas do jeito q vc traduz esse lindo texto – falo sério – nos demonstra no fundo no fundo uma expectativa de sua parte. Mas ela é menina… Nao sei se me fiz entender, mas quis dar uma opiniao externa dr quem leu seu texto com uma visao neutra. De qualquer forma parabens pela delicadeza das palavras. São muito puras.

    • Hey, Amanda!

      Entendi teu ponto. Mas realmente acredito que houve uma grande divergência de interpretação nesse ponto. Minha real intenção é realmente apenas dar a liberdade que ela precisa. Como imagino que ela vá ler isso daqui muitos anos – e é importante ressaltar isso, muita gente não entendeu. Essa não é uma carta para minha filha bebê, é para uma filha que cresceu, é adulta.
      Ela irá ver suas roupas [ rosa, de tantas outras cores], com presilhas e etc, mas isso é nada, a personalidade dela não pode ser baseada nas roupas que usa e afins.
      Ela é uma menina sim e trato ela como tal, mas sempre dando autonomia, mesmo sendo um bebê.
      Quando falo se presilhas e rosa, é porque é um estereotipo muito delineado da nossa sociedade e realmente, acho desconfortável para um bebê que pula e brinca para todo lado aquilo, mas uso as vezes, porque EU acho bonito, mesmo sabendo disso.

      Acho que tem esses 3 pontos importantes para salientas:
      Essa é uma carta para o futuro, para uma jovem que pode ser qualquer coisa, de vaidosa a esquecida, tanto faz.
      Aqui também tem expectativas: de que ela seja corajosa, sincera e aberta – principalmente com ela mesma. Mas isso é algo que todo pai nutre, já que criamos nossos filhos para serem pessoas ativas e felizes, mas é apenas isso. Ao resto, é necessário deixar em aberto as inúmeras possibilidades.
      Por último: todo texto tem sua imperfeição, ainda mais uma carta escrita com muito sentimento, memórias e fatos da minha vida. Acho importante qualquer um que chegue aqui, ter isso em mente.

      No mais, obrigada pela delicadeza em apontar tudo isso. Realmente, você foi quase a única que fez isto de forma amigável e argumentativa.

      Obrigada!
      Abraços

  13. Flor, o texto é muito lindo e emocionante, eu chorei pois me identifiquei, já sou mãe, mas gostaria que meus pais tivessem pensado assim durante minha adolescência.
    Eu também sou esse tipo de mãe, sou mãe de um menino, e não ponho nenhuma expectativa nele, e para isso estou sendo sincera. Desde ser homossexual, a ser um zé ninguém. Estive conversando com meu marido e refletindo sobre essas coisas quando ainda estava grávida, pois sempre tive a certeza que teria uma menina, mesmo quando deu “menino” no ultrassom, e só vi que era um menino mesmo quando fui trocar sua primeira fraldinha, rss, e levou um tempinho para cair a minha ficha. Mas nesse caso sei que era por um desejo imenso de minha parte em ter uma garota. Porém agora amo esse baixinho mais que tudo e sei quem ele é, o meu garotinho!

    Entretanto, quando nos colocamos disposto a não criar expectativas e evitar influenciar as escolhas de forma negativa, temos que estar cientes que isso vai além de escolher ser do sexo oposto ou não.
    Pare para pensar comigo, e foi esse pensamento que me motivou: Ser do sexo oposto ou gostar do mesmo sexo é “inadmissível” para nossos pais. Mas isso já é algo “banal” hoje em dia, é comum, é normal. Temos que parar para pensar o que é inadmissível para nós, a nossa geração. Ter um filho drogado, psicopata, assassino? Eu acho chocante e é difícil de digerir. Mas, quando dizemos que nossos pequenos são livres para serem o que quiserem, até mesmo um peixe com pernas, é isso o que queremos dizer. Que eles podem passar dos limites que criamos em nossas mentes, que eles podem ser coisas que consideramos um absurdo, e não coisas que nossos pais consideravam um absurdo.
    Me entende?
    Então, sem querer, você acabou tornando esse texto além, e poderia ter investido nisso.

    • Oi Angélica!

      Então, acho que você [e muitos] não compreenderam um ponto fundamental. Isto não é um texto normal, abordando um tema x e discutindo ele, é uma carta. Nela, tem um teor mais pessoal e de algo que acredito. Achei pertinente deixar este ponto apenas nesta carta, porque sei que nossa sociedade é infinitamente preconceituosa e não queria que num futuro ela também fosse. Quero que ela seja livre e deixei isso registrado.

      Obvio que ninguém quer isso para o filho, mas para mim não faz sentido fazer de uma carta um texto que aborda os principais pontos que não quero que ela seja. Provavelmente terá outras cartas e quem sabe um dia, algum tema assim apareça. Vai depender do sentimento do momento.

      Grata pelo comentário,
      Abraços.

  14. Pois é, Paola. Dando continuidade à sua resposta acima, e se entendi bem o teor da sua carta, concordo plenamente com você, até porque assassino, psicopata, drogado, etc., são coisas inadmissíveis não por preconceito e sim porque isso destruiria a vida de qualquer um. Ninguém quer isso para um filho, mas uma mãe que ama verdadeiramente, nunca deixa de amar ou perdoar seu filho, mesmo nessas condições. Por mais que tenha que tomar medidas drásticas, não acredito que deixe de amar. E as medidas drásticas são muitas vezes uma forma de expressar o amor de mãe! Por isso não podemos nos privar de dizer “não” quando necessário.

    A questão da homossexualidade ainda é tema de muito preconceito e ações terríveis e a sociedade em geral é muito cruel e capaz de transformar uma simples discordância em algo assustador. O fato de uma pessoa não concordar com a sexualidade de outra pessoa não dá direito à agressão, seja ela física, verbal ou emocional.

    Tenho um filho de 8 anos e me identifiquei muito com você, porque há algum tempo converso com ele sobre isso, e com meu marido desde a gravidez. Tento transmitir a eles, que não vou tolerar qualquer tipo de preconceito seja dentro ou fora de casa. Entre outras coisas que não tolero, estão a mentira e a falta de caráter. Porque na minha opinião, essas coisas sim, fazem a diferença na formação da personalidade de uma pessoa.

    Tudo que desejo é que meu filho seja do bem, uma pessoa boa de coração. E isso não tem nada a ver com sexualidade, religião, profissão, etc. Isso tem a ver com amor, compreensão, tolerância, paciência e acima de tudo respeito. Tento ensinar a cada dia pro meu filho que errar é humano, se desculpar é nobre… enfim, essas coisas! E digo sempre a ele, que qualquer que sejam suas escolhas, que sejam sempre baseadas no respeito e nos valores que ensinamos a ele desde que se entende por gente!

    Educar não é tarefa fácil. Muito pelo contrário, a educação de um filho constitui um longo caminho diário com muito diálogo, muita aflição, responsabilidade, alegria, esperança, lágrimas, preocupações, noites sem dormir… E o respeito que você demonstrou na sua carta, é simplesmente a demonstração de que amor de mãe não tem limites! Adorei seu texto, você está de parabéns e me fez ter esperança de que a maneira como venho educando meu filho me trará bons frutos e tenho certeza de que você também colherá esses frutos. Graças a Deus tenho uma família maravilhosa, uma mãe que sempre teve uma cabeça brilhante e me aceitou com minhas diferenças. E quero que meu filho tenha orgulho de mim quando for adulto. Obrigada e tudo de melhor pra você e sua família.

  15. Fiquei emocionada! Compartilho do mesmo pensamento.
    Tenho um filho de 1 ano, completados este mês, e desde que soube que estava grávida me preparei para que eu pudesse dar todo amor, atenção e orientação que meu filho precisasse para ser o que ele quiser. Eu quero criar um homem honesto, bom e inteligente, o que ele escolher pra vida dele e que o faça feliz é o que me fará também.
    As crianças precisam tanto de pais que os ajudem a ser quem são. Tantas pessoas chegam a vida adulta sem se encontrar.
    Parabéns pelo texto e pela filha.

    Abraço!

  16. E se ela escolher ser uma religiosa que acredita piamente que a homoafetividade é pecado. Você também aceitaria essa decisão dela? Sem qualquer preferêcia de sua imaginação que possa limitar a escolha dela?

    • Acredito e sempre vou acreditar, que o maior pecado que podemos cometer é falhar no “Ame ao próximo com a ti mesmo” e amar é respeitar, compreender, não oprimir e rejeitar pela escolha de ser aquilo que já se nasce. Ao contrário do que dizem, alguns tipos de determinações não são genéticas, é como nos percebemos diante do mundo.

      Então, se ela for muito religiosa e sempre lembrar dessa frase, irei ama-la. Se ela não acreditar e apenas ver o pecado nisso, irei ama-la mais ainda. Dizem que o amor cura o pior dos preconceitos 🙂

      Abraço!

  17. Se nasceu menina, na minha opinião, nunca deixará de ser. Sua anatomia não permite que se torne um homem ou algo “entre um menino e uma menina”. É ruim o homossexualismo na minha opinião. O que é diferente sempre será tratado como tal, pois se eu cortar metade do cabelo e sair na rua, serei diferente dos demais, isso é a sociedade. Não posso querer que com uma atitude dessa as pessoas não me olhem e percebam como diferente. O diferente não quer dizer que é pior ou melhor que os outros, daí a confusão de muita gente em achar que por que não concordo com algo, sou preconceituoso. Ninguém é melhor do que ninguém, mas o diferente sempre terá um destaque. Também assim como querer convencer a sociedade que cortar o cabelo apenas na metade é normal, alguns irão gostar outros não, vão achar feio, anormal, bizarro. O que me irrita no homossexuallismo é que as pessoas querem tratar como normalidade, o que não é. O normal é um homem e uma mulher, e não dois homens ou duas mulheres até mesmo pois até hoje não vi naturalmente nenhuma mulher fecundar outra, e com o homem da mesma forma.
    Nem por isso eu tenho vontade de sair espancando, humilhando e maltratando ninguém (não sou a favor de qualquer tipo de violência contra homossexuais, nem moral nem fisica), não sou melhor do que uma pessoa homossexual, agora a opinião é minha e assim como respeito a mulher que fez o post (respeitar não é concordar), que de certa forma está pregando o homossexualismo, espero que respeitem a minha opinião.

    Abraços

  18. Olá Paola, linda sua filha e seu texto da a liberdade de um futuro pra ela ao qual somente ela pode traçar.. Recentemente me assumi e não fui apoiada por alguns família por ser lésbica, mas oque ninguém entendi é que não era feliz sendo hétero, não por moda mais por amor.

    Bjus

  19. Amei o seu texto! Compartilho do mesmo pensamento e, assim como li em alguns comentários, da mesma incompreensão por parte de quem me escuta. Mais difícil que educá-lo para ser livre será educá-lo a se manter íntegro e fiel às suas escolhas, com tanta intolerância por parte dos outros. Desejo que ele tenha auto estima suficiente para que encare de frente seu caminho, seja ele qual for. Que seja gentil e tolerante, e que discorde do que quiser, inclusive dos meus ensinamentos! Desejo apenas que seja feliz…

  20. Que lindo!!!
    Parabéns mamãe!!!
    O mundo precisa de famílias assim, que se respeitem na dor e no amor! Que não separem brinquedos e cores, de meninos e meninas (mesmo porque esta época do conservadorismo ao extremos já passou)!
    Fui criada assim, com pouco dinheiro, muita diversão, e uma casa que havia crianças. Sim, viver assim é mais gostoso!!
    Sou casada, mas meu esposo e eu levamos esta premissa que todos, em primeiro lugar são humanos, e que devemos sim respeitá-los e amá-los como tal. Temos amigos héteros e homos, e por mais incrível que pareça, as amizades desinteressadas, sinceras, são as do segundo grupo!
    Continue assim, sendo uma mãe acolhedora e amorosa, a Helena lá no futuro será uma pessoa do bem!
    Abraços a duas!

  21. Paola Rodrigues. Fiquei apaixonado pelo seu texto. Quando percebi que estava gostava de menino era muito novo, fiquei com muito medo de contar pra minha família. Mais depois de um tempo vi que mais que necessário o apoio da família. Por que a discriminação e preconceito doem e quando vem de dentro de casa é desolador. No inicio meu pai foi muito compreensivo, me senti acolhido de uma formo que nunca imaginei. Minha mãe foi um pouco radical, falou coisas que nunca esperei, mais entendo que não é fácil pra ela também, pois todos nós colocamos nossas expectativas projetadas nos outros e quando não atingem as nossas expectativas, ficamos frustrados e muitas vezes não aceitamos. Mais com o passar do tempo tudo foi se ajeitando e hoje tenho uma convivência maravilhosa com toda minha família. Meu pai minha madrasta minha mãe meu padrasto. E quando lei sua carta senti uma alegria sem limite. Hoje minha mãe adotou uma criança, como você disse “declarada do sexo feminino”, E ela educa como você, e acho isso fabuloso, ela diz que aprendeu a lidar com toda essa situação comigo e com minha irmã, que também é homossexual. E ao mesmo tempo em que me encho de alegria, penso nas pessoas que não tiveram essa compreensão dos familiares, o quanto isso deve ser árduo, tenho amigos que os pais em conversam, cortaram relações, pelo simples fato de não seguirem o padrão “normal”, estipulado pela sociedade. Mais pra finalizar Achei Helena espetacular, e você grandiosa! Parabéns… E que Helena seja tudo que ela possa ser, em seu extremo.

  22. Lindo texto, só não entendo porque você furou a orelhinha dela com todo esse esclarecimento. Não que eu tenha nada a ver. é claro, é uma escolha sua. Mas já é uma marca que ela vai carregar no corpo desde seu nascimento de que “é uma menina, tem orelha furada”.

  23. Perfeito!!!! penso da mesma forma, alias tbm penso muito nisso! rs minha filha hj tem 9 meses é a Heloisa e lembra muito a Sua Helena rs Parabéns por esse encanto de menina, muito linda msm!

  24. Olá Paula ,

    Eu conheci seu blog através de um amigo. Meu Deus foi impossível não pensar o que pelo menos 98% dos leitores pensam “que Helena de sorte”, mas ai eu pensei que não é apenas a Helena que tem sorte , nós também temos um pouco dessa sorte, afinal indiretamente você também nos dá um choque de realidade,nos leva a uma reflexão e nos mostra outras possibilidades , nós dá uma lição de vida , sim lição de vida , você poderia ter sido qualquer coisa , um adulto revoltado ,traumatizado e culpar a ausência disso , ou excesso daquilo, mas não, você é uma mulher , uma escritora , uma esposa , uma mãe , uma geradora de pessoas melhores , digo “geradora de pessoas melhores” porque afinal toda pessoa que se torna melhor por ter experimentado a sensação da sua leitura , ou é alcançada por um ato de amor derivado das suas palavras e um fruto disso .
    Por isso não poderia deixar de passar por aqui e deixar meus parabéns e agradecer por você ser essa pessoa que escolheu valorizar as coisas simples da vida .

    Que você continue alcançado tantas outras pessoas , e vencendo os obstáculos que surgirem na caminhada.

    Helena você realmente é uma pessoa de sorte .

    Um abraço de alguém que teve a oportunidade de precisar esse “milagre”.

  25. Trombei com esse texto hj, por um acaso, e a única coisa q me veio na cabeça foi que eu precisava te escrever pra dizer: obrigada. Se no mundo existissem mais mães como vc, menos filhos estariam desistindo de viver. Eu tenho fé de que a geração da Helena é a que está vindo pra mudar definitivamente o mundo, e se todos os pais fizerem o bom trabalho que vc está fazendo, o mundo com certeza será um lugar muito mais harmonioso.

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