Sobre a angústia que precede a liberdade

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Helena,

A geração anterior a minha foi condicionada a buscar estabilidade e passar para seus filhos o mesmo conceito. Vi minha mãe e meu pai me falarem incansavelmente durante toda a infância que deveria estudar, conseguir um bom emprego, me manter nele para o resto da vida, ter um carro, filhos e ser agradecida por tudo que a vida me deu.

O problema da estabilidade é que ela é uma ilusão, nada nessa vida é estável. Podem te mandar embora do seu trabalho de muitos anos, com plano de saúde e vale alimentação. Você pode um dia descobrir que está com problemas de saúde pelo estresse que é manter a vida “estável”, ou durante a música de espera do cancelamento do telefone, concluir que não tem mais sonhos, ambições, que a chama de inovação morreu no seu interior. Numa manhã de sábado o teste de gravidez pode dar positivo, acontece.

E quando percebemos se passou anos de nossa curta vida dessa forma: evitando e negando, buscando um ponto fixo num mar em fúria. Demora muito, mesmo lendo todo os dias clichês que remetem essa filosofia, para aprender que o tempo não é uma moeda que você joga no ar e espera dar a cara da sorte. Ele tem vida própria, caprichos e passa mais rápido do que estamos preparados para aceitar.

E eu sei que vai chegar numa altura da vida que você vai encontrar o famoso dilema da vida adulta: o que faço agora da minha vida?
Essa vai ser uma escolha tua, mas como sua mãe, amiga, que decidiu trilhar um caminho onde o amor e o trabalho não estão tão longe, vou te falar para pensar no dinheiro sim, mas não colocar seu esforço em algo que não condiz com seu coração. Não esperar que um trabalho, uma pessoa, um lugar, vá te trazer felicidade e respostas.

Estabilidade não é algo físico, palpável, é um estado de espirito que acolhe as mudanças de forma tranquila, com a completa consciência de que tudo está em movimento, sem controle algum. E dá uma baita angústia perceber que sua vida é regida por outras decisões, pelas escolhas e acontecimentos da vida de desconhecidos.

Mas lembre-se: a angústia sempre precede a liberdade.

Com amor,
Mamãe.

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2 comentários sobre “Sobre a angústia que precede a liberdade

  1. Pingback: 22: A angústia que precede a liberdade |

  2. Amei o seu blog! Sou uma apaixonada por cartas, e procuro incentivar as pessoas através do meu blog a cada dia mais escreverem mais cartas! Achei muito fofo você escrever cartas para sua filha. Encontrei um blog assim uma vez,e até escrevi sobre ele no blog,e agora a moça vai lançar um livro sobre isso 🙂
    Amei saber que tem mais pessoas que escrevem, mesmo que não seja a mão.

    Abraços,
    Gabriela
    http://www.mundodascartas.com

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